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\"Aquele ali passou por cota?\": o papel da Resolução nº 203/2015 do Conselho Nacional de Justiça na construção da representatividade nos concursos públicos da magistratura do Estado de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rodrigues, Mayara Xavier
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28112025-163714/
Resumo: O objetivo deste trabalho é investigar o papel da Resolução no 203/2015 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que estabelece a reserva de 20% das vagas dos concursos de magistratura para pessoas negras, na promoção da equidade racial, situando seus impactos práticos no contexto dos concursos realizados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ao longo de uma década de vigência. A hipótese principal é a de que, embora constitua um marco normativo relevante para a promoção da diversidade racial, a concepção e o desenho da política de reserva de vagas, tal como estabelecidos, não se mostram suficientes para garantir a equidade racial na composição da magistratura. Para explorar essa hipótese, a pesquisa combina abordagens qualitativa e quantitativa, ancorando-se na análise documental, na revisão integrativa da literatura e na realização de entrevistas. Os resultados indicam que o TJSP não conseguiu preencher integralmente as vagas reservadas em nenhum dos concursos analisados (2015 a 2023), revelando barreiras estruturais persistentes que afetam o acesso de candidatos negros à magistratura, em consonância com a principal hipótese investigada. A análise evidencia, ainda, que a sub-representação de pessoas negras decorre de atravessamentos históricos e sociais que mantêm a magistratura sob forte domínio de um grupo hegemônico, dificultando a construção de um Judiciário plural. Nesse cenário, o espaço judicial transforma-se também em território de reafirmação e (re)existência para aqueles que ousam romper com os padrões estabelecidos, impactando diretamente o sentimento de pertencimento e o modo como essas trajetórias são reconhecidas e legitimadas no exercício jurisdicional. Por outro lado, os relatos colhidos nas entrevistas demonstram que a presença de trajetórias diversas na magistratura pode gerar deslocamentos relevantes na forma de julgar, a partir de saberes de sobrevivência que permitem leituras situadas e comprometidas com a realidade social. Conclui-se que o alcance da equidade racial na magistratura demanda o fortalecimento e a articulação das ações afirmativas, e isso exige o enfrentamento das desigualdades estruturais e a adoção de estratégias que considerem os múltiplos fatores que incidem sobre o acesso, a permanência e a atuação de juízas e juízes negros.
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A hipótese principal é a de que, embora constitua um marco normativo relevante para a promoção da diversidade racial, a concepção e o desenho da política de reserva de vagas, tal como estabelecidos, não se mostram suficientes para garantir a equidade racial na composição da magistratura. Para explorar essa hipótese, a pesquisa combina abordagens qualitativa e quantitativa, ancorando-se na análise documental, na revisão integrativa da literatura e na realização de entrevistas. Os resultados indicam que o TJSP não conseguiu preencher integralmente as vagas reservadas em nenhum dos concursos analisados (2015 a 2023), revelando barreiras estruturais persistentes que afetam o acesso de candidatos negros à magistratura, em consonância com a principal hipótese investigada. 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Conclui-se que o alcance da equidade racial na magistratura demanda o fortalecimento e a articulação das ações afirmativas, e isso exige o enfrentamento das desigualdades estruturais e a adoção de estratégias que considerem os múltiplos fatores que incidem sobre o acesso, a permanência e a atuação de juízas e juízes negros.The objective of this research is to investigate the role of CNJ Resolution No. 203/2015, which establishes a 20% quota for Black candidates in judicial selection processes, in promoting racial equity. The study focuses on its practical impacts within the context of selection processes for the magistracy held by the São Paulo State Court of Justice (TJSP) over a decade of implementation. The central hypothesis is that, although the Resolution represents a significant normative milestone for advancing racial diversity, the conception and structure of the quota policy, as formulated, have proven insufficient to ensure racial equity in the composition of the judiciary. To explore this hypothesis, the research adopts both qualitative and quantitative approaches, grounded in document analysis, an integrative literature review, and interviews. The results indicate that the TJSP failed to fully fill the reserved seats in any of the selection processes analyzed (2015 to 2023), revealing persistent structural barriers that hinder access for Black candidates to the magistracy, thus confirming the central hypothesis. The analysis further shows that the underrepresentation of Black individuals stems from historical and social factors that sustain the judiciary under the control of a hegemonic group, making it difficult to build a pluralistic justice system. In this context, the judicial space also becomes a site of affirmation and (re)existence for those who challenge established norms, directly affecting their sense of belonging and how their trajectories are recognized and legitimized within judicial practice. On the other hand, interview narratives demonstrate that the presence of diverse trajectories within the magistracy can lead to meaningful shifts in judicial reasoning, grounded in survival knowledge that allows for more situated and socially engaged interpretations. The study concludes that achieving racial equity in the judiciary requires strengthening and articulating affirmative action policies, alongside confronting structural inequalities and adopting strategies that take into account the multiple factors affecting the access, permanence, and professional experience of Black judges.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSeveri, Fabiana CristinaRodrigues, Mayara Xavier2025-09-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28112025-163714/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-18T13:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-28112025-163714Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-18T13:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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