Caracterização de compostos fenólicos em leite materno

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Costa, Diana Sousa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/112/112131/tde-03092025-104317/
Resumo: O leite materno é o alimento padrão-ouro para infantes, e a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida é amplamente recomendada. Além de fornecer nutrientes essenciais, o leite materno exerce um papel protetor contra o desenvolvimento de doenças crônicas na vida adulta, como obesidade e diabetes tipo 2. Esses benefícios podem estar relacionados à presença de compostos bioativos, incluindo os compostos fenólicos, cuja presença tem sido evidenciada em estudos recentes. Contudo, poucos são os estudos sobre a presença e papel desses compostos no leite materno. Assim, investigar a presença de fenólicos no leite materno é essencial para uma compreensão mais aprofundada da composição e funcionalidade desse fluido para a saúde do infante. As amostras de leite materno foram coletadas entre doadoras de leite excedente dos Bancos de Leite do Hospital das Clínicas e Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, Brasil. Por meio de questionário, foram coletados dados de estilo de vida e de características gestacionais. Para avaliação da ingestão alimentar foi aplicado um recordatório alimentar de 24 horas referente ao dia anterior à coleta. Cada uma das voluntárias forneceu 2 amostras de leite materno, que foram classificadas de acordo com o tempo após o parto: entre 1-7 dias pós-parto foram designadas ao grupo colostro e as amostras obtidas entre 21-40 dias foram definidas como leite maduro. Adicionalmente, 5 fórmulas infantis para lactentes de 0-6 meses de vida comercializadas no Brasil foram incluídas, sendo três fórmulas à base proteína do leite de vaca e duas à base de proteína de soja. A base de dados Phenol-Explorer 3.6 foi utilizada para estimar o teor de compostos fenólicos ingeridos pelas doadoras. O teor de fenólicos totais foi analisado pelo método de Folin-Ciocalteau e a capacidade antioxidante pelos métodos de DPPH e ORAC. A identificação dos compostos fenólicos foi realizada por ultra-high performance liquid chromatography-UHPLC acoplado ao espectrômetro de massa do tipo qTOF. A mediana de ingestão diária de polifenóis totais entre as voluntárias foi de 428 mg/dia. Os grupos mais consumidos de flavonoides em ambos os tempos de coleta foram os flavan-3-ois, seguidos pelos flavonois e flavonas. Os ácidos hidroxicinâmico foram os maiores contribuintes entre a classe de ácidos fenólicos. No leite materno foram identificados os ácidos fenólicos (ácidos 4-hidroxifenilacético, benzóico, hipúrico, dihidroferúlico e 4-hidroxibenzoico), alguns flavonoides (apigenina, naringenina, quercetina, genisteína, diosmetina e hesperetina) e metabóltios formados pela microbiota intestinal (di-hidroxifenil)-y-valerolactona e urolitinas). Nas fórmulas infantis foram identificados principalmente as isoflavonas (daidzeína, daidzina, malonildaidzina, genisteína, genistina, acetilgenistina, gliciteína, glicitina, acetilglicitina, malonilgenistina, acetildaizina) e outros flavonoides glicosilados (prunina, isogentisina 3-glicosídeo, kaempferol 3-glicosídeo, isorhamnetina 3-glicosídeo, tricina-glicosídeo. O presente estudo demonstrou que o leite materno de mulheres brasileiras em sua dieta habitual contém compostos fenólicos, predominantemente ácidos hidroxibenzóicos e metabólitos resultantes do metabolismo da microbiota. A diferença encontrada no perfil de compostos fenólicos do leite materno e fórmulas infantis sugere que o tipo de alimentação do lactente pode influenciar diretamente a exposição a esses compostos bioativos.
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As amostras de leite materno foram coletadas entre doadoras de leite excedente dos Bancos de Leite do Hospital das Clínicas e Hospital Universitário da Universidade de São Paulo, Brasil. Por meio de questionário, foram coletados dados de estilo de vida e de características gestacionais. Para avaliação da ingestão alimentar foi aplicado um recordatório alimentar de 24 horas referente ao dia anterior à coleta. Cada uma das voluntárias forneceu 2 amostras de leite materno, que foram classificadas de acordo com o tempo após o parto: entre 1-7 dias pós-parto foram designadas ao grupo colostro e as amostras obtidas entre 21-40 dias foram definidas como leite maduro. Adicionalmente, 5 fórmulas infantis para lactentes de 0-6 meses de vida comercializadas no Brasil foram incluídas, sendo três fórmulas à base proteína do leite de vaca e duas à base de proteína de soja. A base de dados Phenol-Explorer 3.6 foi utilizada para estimar o teor de compostos fenólicos ingeridos pelas doadoras. O teor de fenólicos totais foi analisado pelo método de Folin-Ciocalteau e a capacidade antioxidante pelos métodos de DPPH e ORAC. A identificação dos compostos fenólicos foi realizada por ultra-high performance liquid chromatography-UHPLC acoplado ao espectrômetro de massa do tipo qTOF. A mediana de ingestão diária de polifenóis totais entre as voluntárias foi de 428 mg/dia. Os grupos mais consumidos de flavonoides em ambos os tempos de coleta foram os flavan-3-ois, seguidos pelos flavonois e flavonas. Os ácidos hidroxicinâmico foram os maiores contribuintes entre a classe de ácidos fenólicos. No leite materno foram identificados os ácidos fenólicos (ácidos 4-hidroxifenilacético, benzóico, hipúrico, dihidroferúlico e 4-hidroxibenzoico), alguns flavonoides (apigenina, naringenina, quercetina, genisteína, diosmetina e hesperetina) e metabóltios formados pela microbiota intestinal (di-hidroxifenil)-y-valerolactona e urolitinas). Nas fórmulas infantis foram identificados principalmente as isoflavonas (daidzeína, daidzina, malonildaidzina, genisteína, genistina, acetilgenistina, gliciteína, glicitina, acetilglicitina, malonilgenistina, acetildaizina) e outros flavonoides glicosilados (prunina, isogentisina 3-glicosídeo, kaempferol 3-glicosídeo, isorhamnetina 3-glicosídeo, tricina-glicosídeo. O presente estudo demonstrou que o leite materno de mulheres brasileiras em sua dieta habitual contém compostos fenólicos, predominantemente ácidos hidroxibenzóicos e metabólitos resultantes do metabolismo da microbiota. A diferença encontrada no perfil de compostos fenólicos do leite materno e fórmulas infantis sugere que o tipo de alimentação do lactente pode influenciar diretamente a exposição a esses compostos bioativos.Breast milk is the gold-standard food for infants, and exclusive breastfeeding until six months of age is widely recommended. In addition to providing essential nutrients, breast milk plays a protective role against the development of chronic diseases in adulthood, such as obesity and type 2 diabetes. These benefits may be related to the presence of bioactive compounds, including phenolics, whose occurrence has been evidenced in recent studies. However, studies involving the identification and the role of phenolics in breast milk are scare. Thus, investigating the presence of phenolics in the breast milk of Brazilian women is essential for a deeper understanding of the composition and functionality of this fluid. Breast milk samples were collected from milk donors at the Milk Banks of the Hospital das Clínicas and the Hospital Universitário of the University of São Paulo, Brazil. Lifestyle and gestational characteristics data were collected via a questionnaire. A 24-hour dietary recall regarding the day before the collection was used to assess dietary intake. Each volunteer provided two breast milk samples, classified according to the time postpartum: samples collected between 1-7 days postpartum were assigned to the colostrum group, and samples collected between 21-40 days were defined as mature milk. Additionally, five infant formulas for babies aged 0-6 months available on the Brazilian market were included in the analyses: three formulas based on cow’s milk protein and two based on soy protein. The Phenol-Explorer 3.6 database was used to quantify the phenolic compounds in the foods. The total phenolic content was analyzed using the Folin-Ciocalteu assay, and antioxidant capacity was measured by DPPH and ORAC assays. Phenolic compounds were identified using ultra-high performance liquid chromatography coupled with a qTOF mass spectrometer. The median daily intake of total polyphenols among volunteers was 428 mg/day. The most consumed flavonoid groups at both collection times were flavan-3-ols, followed by flavonols and flavones. Among phenolic acids, hydroxycinnamic acids were the major contributors. In breast milk, the predominant phenolic acids were 4-hydroxyphenylacetic, benzoic, hippuric, dihydroferulic, and 4-hydroxybenzoic acids, alongside some flavonoids (apigenin, naringenin, quercetin, genistein, diosmetin, and hesperetin) and microbiota-derived metabolites (dihydroxyphenyl)-y-valerolactone and urolithins). In infant formulas, isoflavones (daidzein, daidzin, malonyldaidzin, genistein, genistin, acetylgenistin, glycitin, glycitein, acetylglycitin, malonylgenistin, acetyldaidzin) and glycosylated flavonoids (prunin, isogentisin-3-glycoside, kaempferol-3-glycoside, isorhamnetin-3-glycoside, tricin-glycoside) were identified, mainly due to the inclusion of soy-based formulas. This study demonstrated that breast milk from Brazilian women, under their habitual diet, contains phenolic compounds, predominantly hydroxybenzoic acids and microbiota-derived metabolites. The differences in the phenolic profile of breast milk and infant formulas suggest that infant feeding practices may directly influence exposure to these bioactive compounds.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHassimotto, Neuza Mariko AymotoCosta, Diana Sousa2025-05-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/112/112131/tde-03092025-104317/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-12T17:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-03092025-104317Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-12T17:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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