Cobertura vacinal básica e sua homogeneidade em crianças de 1 a 5 anos no estado de São Paulo: análise espacial e de determinantes de saúde
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-27032026-120035/ |
Resumo: | A vacinação é uma das estratégias mais efetivas de saúde pública; no entanto, o Brasil apresenta queda progressiva das coberturas vacinais desde 2016, agravada pela pandemia da COVID-19. No estado de São Paulo, essa tendência também ocorre entre crianças de 1 a 5 anos, grupo que concentra vacinas fundamentais como a tríplice viral, a varicela e a hepatite A. Este estudo ecológico analisou a cobertura vacinal (CV) e a homogeneidade da cobertura vacinal (HCV) nos municípios paulistas de 2016 a 2021, utilizando dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), com aplicação de estatística descritiva, técnicas de análise espacial (Índice de Moran Global e Local/LISA) e modelagem de regressão logística bivariada e múltipla com variáveis socioeconômicas e de saúde. Os resultados evidenciaram tendência de redução das coberturas a partir de 2016, com acentuada piora em 20202021, período em que a média estadual de CV caiu para patamares próximos a 70% em algumas vacinas. Nenhuma das vacinas avaliadas alcançou de forma consistente a meta do Programa Nacional de Imunizações (95%): a segunda dose da tríplice viral foi a mais crítica, permanecendo abaixo de 80% em quase todos os anos analisados; a varicela apresentou desempenho instável, com fortes oscilações municipais; e a hepatite A manteve índices superiores, mas ainda aquém do recomendado. A avaliação da HCV revelou inadequação em mais de 80% dos municípios para pelo menos uma das vacinas, evidenciando bolsões de suscetibilidade e risco de reintrodução de doenças previamente controladas. Os mapas de autocorrelação espacial identificaram clusters de baixa cobertura concentrados nas regiões sul e leste, enquanto áreas de maior cobertura localizaram-se no norte e oeste, confirmando desigualdades territoriais significativas. A modelagem multivariada mostrou que municípios com maior proporção de domicílios chefiados por mulheres apresentaram risco aumentado de HCV inadequada e que a renda domiciliar per capita elevada também se associou, de forma paradoxal, a piores indicadores, sugerindo influência de fatores comportamentais na hesitação vacinal. Por outro lado, maior cobertura de pré-natal esteve associada a menor chance de HCV inadequada, indicando que a qualidade da atenção básica influencia diretamente a adesão às práticas de imunização. Esses achados reforçam que a queda da vacinação infantil não é uniforme, mas distribuída de forma desigual no território, combinando determinantes sociais, características familiares e fragilidades no acesso aos serviços. Conclui-se que a análise espacial e estatística evidenciou padrões de desigualdade regionais e sociais, permitindo identificar áreas prioritárias para intervenção. O direcionamento de políticas públicas focalizadas, aliado à intensificação da vigilância e ao fortalecimento da atenção primária em territórios vulneráveis, é essencial para recuperar a homogeneidade vacinal e preservar a imunidade coletiva no estado de São Paulo. |
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Cobertura vacinal básica e sua homogeneidade em crianças de 1 a 5 anos no estado de São Paulo: análise espacial e de determinantes de saúdeBasic vaccine coverage and its homogeneity in children aged 1 to 5 years in the state of São Paulo: spatial and health determinants analysisAnálise espacialCobertura vacinalDeterminantes sociais da saúdeHomogeneidade da cobertura vacinalHomogeneity of vaccine coverageImmunization coverageSocial determinants of healthSpatial analysisVaccinationVacinaçãoA vacinação é uma das estratégias mais efetivas de saúde pública; no entanto, o Brasil apresenta queda progressiva das coberturas vacinais desde 2016, agravada pela pandemia da COVID-19. No estado de São Paulo, essa tendência também ocorre entre crianças de 1 a 5 anos, grupo que concentra vacinas fundamentais como a tríplice viral, a varicela e a hepatite A. Este estudo ecológico analisou a cobertura vacinal (CV) e a homogeneidade da cobertura vacinal (HCV) nos municípios paulistas de 2016 a 2021, utilizando dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), com aplicação de estatística descritiva, técnicas de análise espacial (Índice de Moran Global e Local/LISA) e modelagem de regressão logística bivariada e múltipla com variáveis socioeconômicas e de saúde. Os resultados evidenciaram tendência de redução das coberturas a partir de 2016, com acentuada piora em 20202021, período em que a média estadual de CV caiu para patamares próximos a 70% em algumas vacinas. Nenhuma das vacinas avaliadas alcançou de forma consistente a meta do Programa Nacional de Imunizações (95%): a segunda dose da tríplice viral foi a mais crítica, permanecendo abaixo de 80% em quase todos os anos analisados; a varicela apresentou desempenho instável, com fortes oscilações municipais; e a hepatite A manteve índices superiores, mas ainda aquém do recomendado. A avaliação da HCV revelou inadequação em mais de 80% dos municípios para pelo menos uma das vacinas, evidenciando bolsões de suscetibilidade e risco de reintrodução de doenças previamente controladas. Os mapas de autocorrelação espacial identificaram clusters de baixa cobertura concentrados nas regiões sul e leste, enquanto áreas de maior cobertura localizaram-se no norte e oeste, confirmando desigualdades territoriais significativas. A modelagem multivariada mostrou que municípios com maior proporção de domicílios chefiados por mulheres apresentaram risco aumentado de HCV inadequada e que a renda domiciliar per capita elevada também se associou, de forma paradoxal, a piores indicadores, sugerindo influência de fatores comportamentais na hesitação vacinal. Por outro lado, maior cobertura de pré-natal esteve associada a menor chance de HCV inadequada, indicando que a qualidade da atenção básica influencia diretamente a adesão às práticas de imunização. Esses achados reforçam que a queda da vacinação infantil não é uniforme, mas distribuída de forma desigual no território, combinando determinantes sociais, características familiares e fragilidades no acesso aos serviços. Conclui-se que a análise espacial e estatística evidenciou padrões de desigualdade regionais e sociais, permitindo identificar áreas prioritárias para intervenção. O direcionamento de políticas públicas focalizadas, aliado à intensificação da vigilância e ao fortalecimento da atenção primária em territórios vulneráveis, é essencial para recuperar a homogeneidade vacinal e preservar a imunidade coletiva no estado de São Paulo.Vaccination is one of the most effective public health strategies; however, Brazil has experienced a progressive decline in vaccine coverage since 2016, a trend further aggravated by the COVID-19 pandemic. In the state of São Paulo, this decline has also been observed among children aged 1 to 5 years, a group that receives key vaccines such as measles-mumps rubella (MMR), varicella, and hepatitis A. This ecological study analyzed vaccine coverage (VC) and homogeneity of vaccine coverage (HVC) across municipalities in São Paulo between 2016 and 2021, using data from the National Immunization Program Information System (SI PNI) of the Department of Informatics of the Brazilian Unified Health System (DATASUS). Descriptive statistics, spatial analysis techniques (Global and Local Morans Index/LISA), and bivariate and multiple logistic regression models with socioeconomic and health variables were applied. The results demonstrated a downward trend in vaccine coverage from 2016, with a marked worsening in 20202021, when state-level averages dropped to nearly 70% for some vaccines. None of the vaccines consistently reached the National Immunization Program target (95%): the second dose of MMR was the most critical, remaining below 80% in almost all years analyzed; varicella showed unstable performance with strong municipal oscillations; and hepatitis A achieved higher values, though still below the recommended level. HVC assessment revealed inadequacy in more than 80% of municipalities for at least one vaccine, highlighting clusters of susceptibility and risk of reintroduction of previously controlled diseases. Spatial autocorrelation maps identified low-coverage clusters mainly in the southern and eastern regions, while higher coverage areas were concentrated in the north and west, confirming marked territorial inequalities. Multivariate modeling showed that municipalities with a higher proportion of female-headed households had an increased risk of inadequate HVC, and that higher per capita household income paradoxically correlated with worse indicators, suggesting behavioral factors in vaccine hesitancy. In contrast, greater prenatal care coverage was associated with a lower likelihood of inadequate HVC, indicating that primary care quality directly influences adherence to immunization practices. These findings reinforce that the decline in childhood vaccination is not uniform but unevenly distributed across the territory, reflecting social determinants, family characteristics, and barriers to healthcare access. In conclusion, spatial and statistical analyses revealed regional and social inequality patterns, allowing the identification of priority areas for intervention. Targeted public health policies, coupled with strengthened surveillance and primary care in vulnerable areas, are essential to restore homogeneous vaccine coverage and preserve herd immunity in São Paulo state.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFarhat, Sylvia Costa LimaLoureiro, Norma Caroline Furtado Montenegro2025-12-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5141/tde-27032026-120035/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-27T15:06:02Zoai:teses.usp.br:tde-27032026-120035Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-27T15:06:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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