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Hip-hop em transgressão: protagonismo coletivo de mulheres periféricas no slam de poesia de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Dutra, Vanessa Mesquita
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-22102025-093053/
Resumo: O slam de poesia, também conhecido como poetry slam, é um campeonato de poesia falada no qual as poesias apresentadas devem ser autorais e têm, em geral, um limite de três minutos. O júri é composto pela plateia e não é permitido o uso de adereços. O fenômeno surge nos Estados Unidos na década de 1980 e se manifesta no Brasil, em 2008, com o ZAP Slam, o primeiro slam brasileiro. A partir de 2012, alcança as ruas das periferias paulistanas com a criação do Slam da Guilhermina, primeiro slam de rua do mundo. Já a coletiva Slam das Minas SP foi criada em 2016, motivada, entre outras coisas, pela cena poética da cidade, que trazia um contexto machista nos ambientes culturais, especialmente da periferia sul região onde mulheres artistas e ativistas têm um longo histórico de luta pela transformação do território. O objetivo deste estudo é partindo dos anos 90 compreender a atual presença das mulheres periféricas, de maioria negra, no slam de poesia de São Paulo, além de perceber sua presença e produção nesses espaços; buscando compreender suas contribuições para formação das mulheres (slammers) e da própria comunidade dialogando com questões étnico-raciais e relativas a gênero. Essas compreensões são postas em diálogo com ideias de contracolonialidade, propostas por Nego Bispo (2023), de afetividade como estratégia de transgressão, conforme bell hooks (2017) e Rosângela Hilário (2023). A partir de uma metodologia da afetividade, chega-se em uma metodologia da escuta. Trata-se, portanto, de um estudo qualitativo que opera nas encruzilhadas de: a) saberes da rua (ruologia) e vivências; b) entrevistas; c) fenomenologia com desdobramentos simbólicos, em que sigo no rastro da mitologia feminina das ruas, tendo como uma das bases a corporeidade estudada na epistemologia de Exu, mais especificamente de Exu-Mulher muitas vezes abordado/a aqui em seu aspecto denominado trickster ou mulher-trickster; e d) experiências em formações com slam de poesia na rede ubuntu de educação popular, com poetas-formadoras. A partir desta investigação, localizamos o poetry slam sudestino como parte (e continuidade) da cultura hip-hop paulistana, atualmente com o protagonismo coletivo e a visibilidade das mulheres, com reverberações, repercussões e transgressões que isso representa. O slam tem um caráter transformativo (trickster), em que a escuta e a fala figuram como elementos formativos centrais. A história do slam se mistura à história de suas protagonistas, cujas vozes atravessam fronteiras com contribuições materiais, subjetivas e simbólicas de experiências femininas negras e periféricas contemporâneas. 12 Falamos de uma formação inventiva, em que a mulher trickster educa o olhar e provoca rupturas. Sua própria presença em seu corpo-voz no slam é pedagógica: passamos a ver e ouvir o mundo por outras lentes, a imaginar outros possíveis e a escolher, nas bifurcações da estrada, entre caminhos antes invisíveis.
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Já a coletiva Slam das Minas SP foi criada em 2016, motivada, entre outras coisas, pela cena poética da cidade, que trazia um contexto machista nos ambientes culturais, especialmente da periferia sul região onde mulheres artistas e ativistas têm um longo histórico de luta pela transformação do território. O objetivo deste estudo é partindo dos anos 90 compreender a atual presença das mulheres periféricas, de maioria negra, no slam de poesia de São Paulo, além de perceber sua presença e produção nesses espaços; buscando compreender suas contribuições para formação das mulheres (slammers) e da própria comunidade dialogando com questões étnico-raciais e relativas a gênero. Essas compreensões são postas em diálogo com ideias de contracolonialidade, propostas por Nego Bispo (2023), de afetividade como estratégia de transgressão, conforme bell hooks (2017) e Rosângela Hilário (2023). A partir de uma metodologia da afetividade, chega-se em uma metodologia da escuta. Trata-se, portanto, de um estudo qualitativo que opera nas encruzilhadas de: a) saberes da rua (ruologia) e vivências; b) entrevistas; c) fenomenologia com desdobramentos simbólicos, em que sigo no rastro da mitologia feminina das ruas, tendo como uma das bases a corporeidade estudada na epistemologia de Exu, mais especificamente de Exu-Mulher muitas vezes abordado/a aqui em seu aspecto denominado trickster ou mulher-trickster; e d) experiências em formações com slam de poesia na rede ubuntu de educação popular, com poetas-formadoras. A partir desta investigação, localizamos o poetry slam sudestino como parte (e continuidade) da cultura hip-hop paulistana, atualmente com o protagonismo coletivo e a visibilidade das mulheres, com reverberações, repercussões e transgressões que isso representa. O slam tem um caráter transformativo (trickster), em que a escuta e a fala figuram como elementos formativos centrais. A história do slam se mistura à história de suas protagonistas, cujas vozes atravessam fronteiras com contribuições materiais, subjetivas e simbólicas de experiências femininas negras e periféricas contemporâneas. 12 Falamos de uma formação inventiva, em que a mulher trickster educa o olhar e provoca rupturas. Sua própria presença em seu corpo-voz no slam é pedagógica: passamos a ver e ouvir o mundo por outras lentes, a imaginar outros possíveis e a escolher, nas bifurcações da estrada, entre caminhos antes invisíveis.Poetry slam, known in Portuguese as slam de poesia, is a spoken-word poetry competition in which participants must present original works, typically within a three- minute time limit. The jury is composed of the audience, and the use of props is prohibited. The phenomenon emerged in the United States in the 1980´s and gained traction in Brazil in 2008 with ZAP Slam, the country\'s first poetry slam. By 2012, it reached the streets of São Paulos peripheries with the creation of Slam da Guilhermina, the world\'s first street slam. Later, in 2016, the collective Slam das Minas SP was founded, motivated in part by the city\'s poetic scene, which was marked by a deeply sexist cultural environment, particularly in the southern periphery a region with a historical legacy of women\'s struggles for territorial transformation. This study aims to examine, starting from the 90´s, the presence and contributions of predominantly black peripheral women in São Paulos poetry slam scene, analyzing their participation, artistic production, and impact on the formation of female slammers and their communitieswhile engaging with racial-ethnic and gender-related issues. These reflections are framed through decolonial perspectives, as proposed by Nego Bispo (2023), and the notion of affectivity as a strategy of transgression, following bell hooks (2017) and Rosângela Hilário (2023). Employing an affective methodology, the study develops into a listening-based approach. As such, it constitutes a qualitative investigation situated at the crossroads of: a) street knowledge (ruologia) and lived experiences; b) interviews; c) phenomenology with symbolic unfoldings, grounded in Exus epistemologyparticularly Exu-Woman, often explored here in her trickster or woman-trickster dimension; and d) experiential learning within poetry slam workshops in the Ubuntu popular education network, led by poet-educators. The findings position poetry slam as an integral part of São Paulos hip-hop culture, now characterized by the collective leadership and visibility of women, along with the reverberations, repercussions, and transgressions this entails. Slam assumes a transformative (trickster) role, where listening and speech function as central formative elements. The history of slam intertwines with that of its protagonists, whose voices transcend borders, offering material, subjective, and symbolic contributions rooted in contemporary black and peripheral feminine experiences. This study speaks to an 14 inventive form of education, in which the trickster woman reshapes perspectives and provokes ruptures. Her very presenceembodied in the slam spaceis pedagogical: it compels us to view the world through alternative lenses, imagine new possibilities, and choose, at lifes crossroads, paths once invisible.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSaura, Soraia ChungDutra, Vanessa Mesquita2025-08-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-22102025-093053/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-18T19:41:03Zoai:teses.usp.br:tde-22102025-093053Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-18T19:41:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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